Blog

Top 10 gins para começar: o que 15 bartenders recomendam pra primeira garrafa

Por Douglas Taylor·
Top 10 gins para começar: o que 15 bartenders recomendam pra primeira garrafa

A primeira garrafa de gin costuma dar errado de dois jeitos opostos. Ou a pessoa compra um London Dry tão seco e resinoso que o zimbro parece remédio, ou cai numa opção contemporânea tão discreta que nem parece gin — e em nenhum dos dois casos sobra vontade de abrir uma segunda garrafa. A pergunta que resolve isso não é "qual é o melhor gin do mundo", é "qual garrafa não vai afastar alguém que ainda está decidindo se gosta da categoria".

De onde veio essa lista

Essa segunda pergunta foi feita, literalmente, a quem lida com ela todo dia: em outubro de 2025, a VinePair — publicação americana de bebidas — perguntou a 15 bartenders profissionais dos EUA qual gin eles recomendariam para alguém comprando a primeira garrafa da categoria. O levantamento saiu como "We Asked 15 Bartenders: What's the Best Gin for Beginners?", publicado em 21 de outubro de 2025. Não é ranking de concurso nem nota de degustação às cegas — é o que bartenders de verdade colocam na mão de um cliente decidindo se gosta ou não de gin.

Como alguns bartenders indicaram mais de uma garrafa, as 15 respostas renderam 17 recomendações e 15 garrafas distintas — das quais duas, Fords Gin e Plymouth Gin, foram citadas por dois bartenders diferentes cada uma. Selecionamos as dez que combinam força da indicação, variedade de estilo (London Dry, Old Tom, contemporâneo) e presença real no mercado brasileiro, deixando de fora Barr Hill Tom Cat, Gray Whale, Jones House, Uncle Val's e J. Rieger & Co. A ordem abaixo segue a força da indicação — quantas vezes e com que convicção cada garrafa apareceu —, não uma nota: é uma lista de portas de entrada, não um pódio.

1. Fords Gin

Garrafa de Fords Gin, London Dry com rótulo cheio de carimbos
Foto: divulgação da marca

Fords foi a garrafa mais citada da pesquisa, recomendada por dois bartenders em bares diferentes — um deles descreveu o gin como uma "tela neutra" que deixa os outros ingredientes do coquetel aparecerem sem disputar espaço. A receita nasceu com participação direta de bartenders no processo de desenvolvimento, o que explica por que ela funciona tão bem atrás de um Tom Collins sem nunca ficar sem graça. Preço de entrada, ~US$20 nos EUA, e distribuição ampla completam o motivo de ter aparecido duas vezes na lista.

2. Plymouth Gin

Garrafa de Plymouth Gin com o rótulo do navio Mayflower
Foto: WestportWiki · CC BY-SA 3.0 · Wikimedia Commons

A segunda garrafa citada duas vezes carrega um status que nenhuma outra tem: só pode se chamar Plymouth Gin o destilado feito na cidade inglesa de Plymouth, hoje produzido numa única destilaria centenária. O perfil é mais macio e terroso que um London Dry — o zimbro está presente, mas sem o corte seco no final —, descrito por um dos bartenders como "clássico sem ser áspero". Historicamente é o gin do gimlet, drink em que esse arredondamento faz diferença real ao lado do limão.

3. Hendrick's Gin

Garrafa preta de Hendrick's Gin com rótulo floral
Foto: Mikaf1fan (edição de Bruce The Deus) · CC BY-SA 4.0 · Wikimedia Commons

A garrafa preta com etiqueta floral não é só estética: dentro está um gin infundido com pepino e pétalas de rosa depois da destilação, um desvio que empurra o zimbro para um segundo plano incomum na categoria. O teor alcoólico também ajuda — 41,4%, abaixo dos 47% ou mais comuns em London Dry — o que reforça a sensação de suavidade descrita pelo bartender que a indicou. É a garrafa certa para converter alguém que jura não gostar de gin, mais do que para ensinar o que um gin "clássico" deveria ser. Combina bem com a gin tônica mais simples que existe.

4. Beefeater Gin

Garrafa de Beefeater London Dry Gin com lacre vermelho de cera
Foto: Keeezawa · CC BY-SA 4.0 · Wikimedia Commons

Beefeater é o contraponto direto ao Hendrick's: London Dry sem meio-termo, zimbro na frente, cítrico logo atrás, nenhum botânico fora do roteiro clássico. É também a garrafa mais fácil de encontrar da lista inteira — presença garantida em qualquer loja de bebidas do Brasil — e o preço acompanha essa disponibilidade. O bartender que a recomendou resumiu em três palavras: "limpo, robusto, cítrico". Serve de referência: quem aprende o que é gin bebendo Beefeater consegue notar com clareza tudo que muda numa garrafa contemporânea — inclusive no negroni, onde ele segura bem o tripé com Campari e vermute.

5. Tanqueray London Dry Gin

Garrafa verde de Tanqueray London Dry Gin com lacre vermelho
Foto: Bruce The Deus · CC BY-SA 4.0 · Wikimedia Commons

A garrafa verde com o lacre de cera vermelho é uma das mais reconhecíveis do mundo dos destilados, e o conteúdo justifica a fama: quatro destilações, perfil seco e cítrico, zimbro elegante sem ser agressivo. O bartender de Denver que a indicou resumiu o perfil em poucas palavras — "seco, com cítrico e zimbro" — e apontou a versatilidade como o motivo real da escolha: funciona tanto num clássico quanto numa infusão caseira. É a garrafa que sustenta um dry martini e uma gin tônica com a mesma competência.

6. The Botanist

Garrafa de The Botanist Islay Dry Gin com rótulo minimalista
Foto: Indrajit Das · CC BY-SA 4.0 · Wikimedia Commons

Produzido pela destilaria escocesa Bruichladdich, cercada de alambiques dedicados a whisky, The Botanist foge do óbvio: além dos nove botânicos clássicos de gin, usa 22 ervas colhidas à mão na ilha de Islay, cada uma adicionada separadamente à receita. O resultado é um gin denso, com camadas suficientes para segurar tanto um coquetel autoral quanto uma dose servida pura — o bartender que o recomendou falou em "profundidade e requinte". É a escolha de quem já passou pela fase de London Dry básico e quer ver até onde a categoria consegue ir, o mesmo território que o guia de estilos de gin explora com mais detalhe.

7. Barr Hill Gin

Garrafa de Barr Hill Gin ao lado de favos de mel
Foto: divulgação da marca

Feito em Vermont, nos Estados Unidos, Barr Hill inverte a lógica mais comum da categoria: em vez de somar botânicos para ganhar complexidade, o destilado de zimbro selvagem passa por mel local cru depois da destilação. O resultado é redondo e levemente doce sem perder a espinha de zimbro — o bartender que o indicou o descreveu como "ponto de entrada acessível". Funciona bem como ponte para quem já gosta de destilados adocicados, como whisky ou rum, migrar para o gin sem sentir o choque seco de um London Dry puro. O guia de destilados explica onde esse tipo de perfil se encaixa ao lado dos outros.

8. Hayman's Old Tom Gin

Garrafa de Hayman's Old Tom Gin com selo estampado de gatos e chaminés
Foto: divulgação da marca

Old Tom é o elo perdido entre o genever holandês e o London Dry moderno: um gin levemente adoçado que dominava os bares no século XIX antes de cair em desuso por quase cem anos. A receita da Hayman's — família que destila gin em Londres desde 1863 — segue a fórmula original dos anos 1860, mais suave que um London Dry sem esconder o zimbro; o bartender que a recomendou chamou o estilo de "acessível para quem está começando". É a garrafa certa para provar como coquetéis como o Tom Collins e o martinez foram pensados originalmente, antes de o estilo seco tomar conta da categoria.

9. Canaïma Gin

Garrafa de Canaïma Gin com rolha de madeira e rótulo circular
Foto: divulgação da marca

Produzido na Venezuela pela destilaria por trás do rum Diplomático, Canaïma segue uma lógica parecida com a dos gins nacionais brasileiros: reduzir o protagonismo do zimbro para abrir espaço a botânicos amazônicos, entre eles maracujá e frutas da região que a maioria dos gins europeus nunca usaria. O bartender de Miami que o indicou apontou exatamente isso — um perfil tropical desenhado para reduzir a resistência de quem acha o gin clássico agressivo demais. É o gin mais próximo, em espírito, dos autorais que já dominam as prateleiras brasileiras.

10. St. George Terroir Gin

Garrafa de St. George Terroir Gin com ilustração de urso e montanha
Foto: divulgação da marca

Terroir Gin é a resposta de um destilador americano à pergunta "como seria um gin da Califórnia, em vez de um gin inglês?" — a receita troca parte do zimbro por douglas-fir (um pinheiro da costa oeste dos EUA), louro californiano e casca de cítrico em destaque, resultando num perfil mais resinoso-herbal do que floral ou cítrico puro. O bartender de Denver que a recomendou foi direto: é a opção para quem "não gosta do zimbro clássico". Funciona bem num bramble, onde a acidez da amora tem gin suficiente para conversar de igual para igual.

Resumo rápido

Gin Estilo Perfil Bom para
Fords Gin London Dry Neutro, versátil Tom Collins, coquetelaria em geral
Plymouth Gin Plymouth Macio, terroso Gimlet
Hendrick's Gin Contemporâneo Floral, pepino, suave Gin tônica
Beefeater Gin London Dry Limpo, cítrico Negroni, iniciante absoluto
Tanqueray London Dry London Dry Seco, cítrico, zimbro elegante Dry martini
The Botanist Contemporâneo Denso, 22 ervas de Islay Coquetel autoral, puro
Barr Hill Gin Destilado com mel Redondo, levemente doce Quem vem do whisky/rum
Hayman's Old Tom Old Tom Suave, levemente adoçado Tom Collins, martinez
Canaïma Gin Contemporâneo tropical Frutado, botânicos amazônicos Quem resiste ao zimbro clássico
St. George Terroir Contemporâneo herbal Resinoso, douglas-fir, cítrico Bramble

Nenhuma dessas garrafas é obrigatória

Assim como na lista de whisky, a fonte aqui é a opinião de 15 profissionais, não um teste cego com centenas de garrafas — e a maioria das indicações evita extremos deliberadamente. As duas exceções calculadas do grupo são o Hayman's Old Tom, que pede um pouco mais de contexto histórico para ser apreciado, e o St. George Terroir, que troca o zimbro clássico por notas resinosas nada óbvias. Se a proporção da gin tônica ainda não está redonda, o guia de gin tônica perfeita resolve isso em quatro decisões; para entender por que zimbro é lei e o que separa os estilos, o guia de estilos de gin fecha a lacuna. E se a dúvida for por onde montar o resto do bar, o guia de destilados e o guia de copos cobrem o restante.